terça-feira, 9 de setembro de 2008

problemas hidráulicos

por aquela ninguém esperava. o dique estourou e alagou toda a planície, ilhando os predadores em pequenas parcelas de terra.

a rainha, esbelta, não podia acreditar que tudo aquilo em volta dela era água. e agora? seus olhos arregalavam a cada centímetro de água que escorria em sua direção.

o predador líder, depois de ser quase atingido por um jato encorpado, conseguiu, num salto preciso, se abrigar numa gruta quentinha, encimada num bloco rochoso.

já a rainha, tadinha, ficou lá na planície mesmo, face à face com a água... que cada vez mais perto, encurtava o espaço livre para as patinhas.

ela não podia se deixar render e acabar como uma lontra, lambida e molhada. não mesmo. para os felinos, isso seria uma afronta.

então, com a água avançando cada vez mais em direção a suas patinhas, ela se arriscou. como um cabrito, pulou em dois quiques: pá, pum. atingiu o cume de uma moita que ainda estava sequinha. ufa! estava a salvo agora.

não seria daquela vez que nossos predadores trocariam um bom banho a lambidelas por um reles chuá-chuá.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

comida popular

- um caldinho de feijão, por favor.

...

- as sopas daqui não são muito boas, mas eles mudaram o cardápio né, vai que mudaram o cozinheiro também.
- pois é, são todas de pozinho. lembra aquela canja? era canja mesmo?
- bem, estava no cardápio "canja de galinha", mas serviram um caldo de galinha kinnor... tipo o tabletinho diluído em água. morna.
- he he he! e naquele dia que você achou uma lagarta!
- você achou uma lagarta na comida?
- não era uma lagarta, era uma lesminha de couve-flor.
- ela reclamou, aí o mozão... é, o mozão, a gente chama o gerente de mozão. então, a gente tava na fila pra pagar e o mozão pegou a comanda e falou que não era pra pagar nada!
- e depois ainda liberou a sobremesa! agora a gente tem free pass pra sobremesa, mesmo quando não comemos no serve-serve.

- amendoizinho aí? vamos colaborar pra mim comprar o meu jatinho particular!
- rarará!... não moço, a gente não come amendoim não. o negócio aqui é lagarta!... rarará!

...

- caldinho, torradinhas e azeite português desvirginado: 80% óleo 20% azeite.
- hummm... peraí, tem... o quê?! tem queijo ralado onde? tem queijo ralado no feijão???
- como assim???
- é, tem queijo ralado no feijão ué!
- não é possível!
- eu comia queijo ralado com arroz, feijão e farinha quando era pequena.
- é, realmente o cardápio mudou e o cozinheiro também: cozinha contemporânea.
- e não é que tá gostoso!
- é com torradinhas hummm com bastante azeite... delícia.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

na natureza selvagem



o habitat natural é bem sortido. fauna, flora e seres humanos convivem muito bem, sem qualquer desequilíbrio ambiental. logo pela manhã, os felinos fazem uma varredura nas redondezas em busca de um lugar quentinho. então, os predadores - estes aí que dormem tranqüilos no território demarcado - descansam durante o dia, recuperando as energias para a caçada do fim da tarde. mas antes da caçada diária, fazem um aquecimento atlético, com corrida de obstáculos. a flora e os minerais servem como camuflagem e obstáculos, respectivamente nesta mesma ordem. os humanos são ignorados nessas horas.

depois de devidamente aquecidos, os felinos começam a explorar o território. farejar o rastro das vítimas: orelhas em pé e focinhos em movimento, os bigodes também servem como uma espécie de antena. abaixadinhos. movimentos calculados.

durante a caçada, qualquer animal invertebrado que se atreva a atravessar os limites da área inimiga estará sujeito a abate. alguns resistem, outros sucumbem. aqueles com asas dão mais sorte, isto quando conseguem se esquivar das garras e saltos inimigos. as formigas e semelhantes não têm muita vez, pois os predadores por aqui têm um quê de tamanduá.

área devastada, hora do aquecimento pós-caçada. mais uma vez, a corrida de obstáculos, agora num grau de dificuldade mais alto. radical. os saltos são maiores e a velocidade mais rápida. muitas vezes, nesta etapa, a flora sofre baixas e tem de ser replantada. foi nesse momento do dia que uma certa vez o nosso predador líder caiu de um precipício... mas isso já é outra história.

enfim, o sol se põe e a fauna predatória se acalma. pelo menos algumas horinhas até o lanche da madruga, porque ninguém é de ferro, não é mesmo?


santo de casa...



a propósito,

eu costumo achar que minha imagem de santo antônio é tal como a bola 8. aquele brinquedinho mágico que você sacode e faz uma pergunta que ele responde com lacônicos SIM, NÃO, QUEM SABE, PODE APOSTAR. só que o meu santinho eu não sacudo e nem pergunto, eu o coloco de ponta-cabeça e peço com jeitinho.

um dia fiz uma promessa pro toninho e pedi: meu santinho, se você não conseguir fazer com que esse idiota do vizinho pare de escutar esse pagode vagabundo, nas alturas, sem respeito, e gritando Obrigado! toda vez que a música acaba, eu juro que te planto de cabeça para baixo junto com a minha espada-de-são jorge. humpf!

faz dois dias, 7 horas e 52 minutos que o galo não canta aqui em casa.